
TEM COISAS QUE NÃO TERMINAM...Antigamente ele e ela andavam pelas ruas com uma enorme vontade de ser. A rua era deles e ele, inocente, pensava: “se essa rua fosse minha...”. Era de noite, era de dia. Debaixo do sol tomavam Coca-Cola, quando escurecia era cocaína.
Antigamente era tudo diferente. Vila era Vila, Bela Vista era Bexiga e não tinha essa história de Baixo Augusta. Isso foi invenção de jornalista. Jornalista paga pau de poeta underground.
Antigamente tudo era diferente. Hoje é tudo igual. Antigamente não faz tanto tempo assim. Hoje já foi. Já era. Hoje não dá mais.
Mas ele nem sabe porque está pensando nisso. Ela nem tá mais ali. Agora ela passa pelas mesmas ruas e ele a vê pela tela da tv. Ela continua com vontade de ser, mas dessa vez ela quer ser sandália, quer ser sorvete-cremoso-moça-de-vestido rendado-e-cabelo-enrolado, quer ser o caralho à quatro.
Hoje sob o sol ele toma suco natural e sob a lua qualquer coisa que lhe durma.
Andar pra ele passou a ser um suplício. Só pede comida em domicílio. Aceita até as que entregam à domicílio, como a pizzaria do português todo errado.
Numa dessas entregas sugeriu ao português todo errado que trocasse o negócio por uma padaria. Portuga retrucou: “Pizzaria é negócio da China!”
Resignado, ele pegou um real e mais dez fichinhas da promoção e trocou por meia pepperoni, meia marguerita.
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